Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

S. Francisco de Borja

Temo-nos referido à importância da Companhia de Jesus na propagação da fé católica, nomeadamente, no Oriente. Falámos em S.Francisco Xavier, o "apóstolo das Índias"  e em algumas turmas veio à baila, também, o nome de S. Francisco de Borja, a propósito dos seguintes acontecimentos:

D. Isabel de Portugal, imperatriz da alemanha, por TicianoEm 1529 faleceu a imperatriz Isabel da Alemanha, esposa de Carlos V e filha de D. Manuel de Portugal. A imperatriz estava no auge da sua beleza e do seu poder, sendo estimada e respeitada por todos na Alemanha. Carlos V, o poderosíssimo imperador da Alemanha e rei de Espanha  decidiu que Francisco de Borja, futuro duque de Gandía, deveria acompanhar os restos mortais de D. Isabel até ao panteão real de Espanha, em Granada. Imagine-se a viagem, da Alemanha até à Espanha, a acompanhar os restos mortais de uma imperatriz tão amada e respeitada!

Uma vez chegados, quinze dias depois, e sob um sol abrasador, Francisco de Borja teve que reconhecer o corpo já em adiantado estado de decomposição. Nessa altura reflectiu profundamente sobre a fragilidade das glórias do mundo e decidiu que só valia a pena amar a Deus, o único ser que é eterno. Terá verbalizado o seu pensamento nestes belíssimos termos:

nunca mais amarei quem não possa viver sempre!

 

Mais tarde, devido àquela decisão, S. Francisco de Borja irá ingressar na Companhia de Jesus da qual viria a ser figura destacada.

 

As reflexões do duque de Gandía impressionaram tanto a nossa poetisa Sophia de Mello Breyner, que dedicou um poema ao assunto. É este:

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MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GANDIA

SOBRE A MORTE DE ISABEL ISABEL DE PORTUGAL
Nunca mais 
A tua face será pura limpa e viva 
Nem o teu andar como onda fugitiva 
Se poderá nos passos do tempo tecer. 
E nunca mais darei ao tempo a minha vida. 
 
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços 
Do teu ser. Em breve a podridão 
Beberá os teus olhos e os teus ossos 
Tomando a tua mão na sua mão. 
 
Nunca mais amarei quem não possa viver 
Sempre, 
Porque eu amei como se fossem eternos 
A glória, a luz e o brilho do teu ser, 
Amei-te em verdade e transparência 
E nem sequer me resta a tua ausência, 
És um rosto de nojo e negação 
E eu fecho os olhos para não te ver. 
 
Nunca mais servirei senhor que possa morrer. 

Lindíssimo, não é? Se quiserem ler mais poemas de Sophia de Mello Breyner podem consultar esta página.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Fátima Stocker

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sinto-me:
publicado por asergio às 17:57
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Cartografia dos Descobrimentos

Caríssimos
 
Apresento-vos, de seguida, alguns dos mapas dos Descobrimentos de que vos falei. Cliquem sobre cada imagem para a ampliar.
 
O Conhecimento do mundo é progressivo e se nos lembrarmos que os mapas medievais representavam uma realidade pouco mais do que imaginada (lembrem-se do mapa que analisámos), podemos concluir que o nosso trabalho foi enorme. É vsta e muito variada a nossa cartografia dos Descobrimentos, como podemos concluir pelos exemplos que aqui ficam.
Caríssimos
 
Apresento-vos, de seguida, alguns dos mapas dos Descobrimentos de que vos falei. Cliquem sobre cada imagem para a ampliar.
 
O Conhecimento do mundo é progressivo e se nos lembrarmos que os mapas medievais representavam uma realidade pouco mais do que imaginada (lembrem-se do mapa que analisámos), podemos concluir que o nosso trabalho foi enorme. É vasta e muito variada a nossa cartografia dos Descobrimentos, como podemos concluir pelos exemplos que aqui ficam. Reparem nas datas, por favor!
 
 
Costa Atlântica de África
Atlas de Diogo Homem de 1558
 
Compare-se o conhecimento do Brasil nos dois mapas que se seguem:
 
Planisfério de Cantino (1502)
 
Anónimo, 1545
 
E da Ásia, que conhecíamos nós? Veja-se bem a importância da presença portuguesa: o interior do Continente asiático permnece um enrme desconhecido:
 
Anónimo, 1540
 
Maravilhemo-nos, agora, com algumas representações do Brasil:
 
 
 
Neste mapa estão representadas as capitanias
publicado por asergio às 19:00
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

Padrões dos Descobrimentos

São tantas as marcas Portuguesas pelo mundo!
 
Para assinalar as terras descobertas, os navegadores portugueses colocavam padrões que, além de indicarem a autoria, serviriam de ponto de referência, àqueles que ali chegassem nas viagens seguintes.
 
Eis dois exemplos:
 
O primeiro é o padrão de Santo Agostinho, colocado por Diogo Cão no Cabo de Santa Maria em 1482. Actualmente está na sociedade de Geografia de Lisboa. Nele pode ler-se a seguinte inscrição:
 
"Era da criação do Mundo de 6681 anos, do nascimento de Nosso Senhor Jesus de 1482 anos, o mui alto, mui excelente poderoso príncipe, el-rei D. João II de Portugal mandou descobrir esta terra e pôr estes padrões por Diogo Cão, escudeiro da sua casa".
 
O segundo exemplo é uma reconstituição (também presente na S. Geografia) do padrão de S. Gregório, colocado por Bartolomeu Dias no Penedo das Fontes (False Island), em 12 Março de 1488.
 
Mas outras marcas foram ficando.
Diogo Cão, seguindo as ordens de D. João II, pretendia encontrar uma passagem, por África, entre o Oceano Atlântico e o Oceano Índico. Sabemos que tentou isso, navegando pelo rio Zaire, descobrindo o Reino do Congo. Nessa viagem, ele e seus companheiros desembarcaram e deixaram a marca da sua presença nas pedras de Ielala, ou seja, o limite navegável do rio. Estávamos em 1485. Eis a inscrição onde pode ler-se o seguinte texto:
 

Aqui chegaram os navios do esclarecido rei Dom João o segundo de Portugal: Diogo Cão, Pedro Anes, Pedro da Costa
Noutra rocha lêem-se, em grupos, outros nomes: Álvaro Pires/ Pero Escolar; Antão; João de Santiago; Diogo Álvares (com uma cruz em cima) e, ainda noutra, Gonçalo Álvares, nome que aparece repetido a seguir a uma cruz e à expressão da Doença, escrito, certamente, para assinalar a sua morte.

Fica aqui uma fotografia recente da pedra de Ielala:

A aventura e o desejo de servir el-rei andaram sempre de mãos dadas com a morte, nesta empresa dos Descobrimentos!

F. Stocker

publicado por asergio às 17:53
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Apresentação

O prometido é devido! Criado está o blog para os meus alunos de oitavo ano, na esperança de que seja muito visitado e comentado!

Fica já o primeiro trabalho. Lembram-se?

Para que se pusessem na pele dos descobridores de quatrocentos, sentissem os seus anseios, preocupações, angústias e dificuldades, pedi aos alunos do 8.º D que imaginassem que a sonda Cassini era tripulada e que cada um deles integrava a tripulação dos visitantes de Saturno. A Marta Prazeres escreveu o seguinte:
 
 
Bem, eu não sei o que faria se me propusessem ir na sonda Cassini até Saturno. Para mim seria muito difícil, mas muito difícil decidir-me, porque eu teria a minha família, os meus amigos, as minhas coisas, ou seja, a minha vida, porque afinal a nossa ciência está evoluída, mas não está tão evoluída de maneira a que os cientistas me garantissem que, se fosse até Saturno, voltaria viva, porque a viagem decorreria com normalidade.
 
 
Os receios da Marta são os mesmos que sobressaltavam os marinheiros quatrocentistas. Na época também se falava dos avanços científicos na arte de marear: havia bússolas e astrolábios; quadrantes e boas caravelas com velas latinas que eram a tecnologia de ponta. Mas… o mar é tão grande e desconhecido! São tantos os mistérios e as histórias horrendas que dele se contam… Sabíamos menos dele do que sabemos hoje do céu infinito que nos envolve!
 
Eu tenho muito medo da morte e pensar que, se fosse até Saturno e se alguma coisa, por mais pequena que fosse, deitasse tudo a perder… É muito complicado! Por um lado, eu estaria a fazer algo que contribuísse para a Humanidade, para a evolução da ciência mas por outro lado é como se estivéssemos a brincar com a nossa vida, como se fosse um brinquedo.
 
 
Nas viagens de descobrimentos tudo podia correr mal e o perigo era a companhia mais certa Os naufrágios sucediam-se; as doenças eram constantes! Sobretudo o escorbuto, doença horrível que faz apodrecer as gengivas e mata, sujeitando o doente a uma agonia atroz! Tens razão, Marta, era como se se brincasse com a vida!
 
Mas imaginando que diria que sim, que aceitava ir na sonda Cassini até Saturno, eu iria ficar muito nervosa antes da viagem, e excitada, porque, afinal não é todos os dias que se vai a Saturno.
 
 
Pois não! Nem é todos os dias que alguém tem peito forte para dobrar o Bojador (Gil Eanes); para navegar a Sul do Equador (Diogo Cão, etc. – Ai os mitos sobre os antípodas!!!); para encontrar o fim de África e provar que o Índico é oceano (Bartolomeu Dias)!
 
Durante a viagem teria muito tempo para aproveitá-lo da melhor forma, porque a viagem levaria muito tempo. Para além de estar em contacto permanente com a Terra, levaria muitos mantimentos; se houvesse oportunidade levaria um, ou mais livros para ler, o meu mp3 e muitas outras coisas para me entreter. Levaria uma foto dos meus pais e do meu irmão para nunca me esquecer que, por mais longe que estivesse, de certeza que eles estariam sempre no meu coração para me apoiarem. Levaria também um terço e a minha Bíblia para rezar sempre que pudesse e pedir a Deus para que a viagem corresse bem.
 
Que vantagem a tua, Marta! Os descobridores de quatrocentos saíam e perdiam todas as hipóteses de contacto com Lisboa; navegavam meses e meses sem parar em terra alguma. Às vezes, se paravam, podiam encontrar pessoas pouco amigáveis…
As provisões eram a preocupação principal: os navios tinham que ir preparados para o que desse e viesse. Por isso, abasteciam-se de animais vivos, carne seca e muito biscoito. A farinha nova rapidamente ganhava bolor e apodrecia nos porões e a água estagnada entrava facilmente em putrefacção nas latitudes por onde navegávamos. Por isso, fazer escala para fazer aguada era condição de sobrevivência! Mas o escorbuto era garantido devido à exiguidade dos alimentos frescos.
A maioria dos marinheiros não se podia dar ao luxo de ler porque quase todos eram analfabetos, por isso entretinham-se, quando não estavam de escala, a jogar uns com os outros e a contar histórias. Alguns levavam consigo um lenço ou qualquer objecto das pessoas que amavam mas a maioria guardava apenas a lembrança das lágrimas e do adeus no cais de Belém. Talvez houvesse um crucifixo guardado nalgum bolso!
A bordo, nunca faltava o capelão, responsável pela celebração dos serviços religiosos. Afinal, estes homens eram cristãos!
 
 
Saturno deve ser um planeta fantástico e único. Tiraria muitas fotografias para, no caso de voltar à Terra, ter algo para recordar da viagem maravilhosa que, de certo, iria ser.

No regresso também estes homens traziam lembranças que eram prova viva do êxito da sua viagem. Quem se não lembra das “rosas de Santa Maria” que Gil Eanes recolheu, para o Infante D. Henrique, como prova de que tinha dobrado o Bojador?

Com este texto consegui perceber o que sentiram os grandes descobridores portugueses e, agora, os astronautas, ao irem ao encontro do desconhecido. É de louvar o que fizeram e, ainda hoje, fazem…
Marta Prazeres
 
Ainda bem, Marta. O objectivo era esse!
 
 Fátima Stocker
publicado por asergio às 17:37
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