Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Infanta D. Maria

Na aula, a propósito dos grandes humanistas, voltámos a falar de Camões e, a propósito da sua vida, referi a Infanta D. Maria filha mais nova de D. Manuel. Aqui fica o seu retrato, provavelmente da autoria de Gregório Lopes, um dos grandes pintores portugueses do Renascimento. Lamento, mas não tenho a versão colorida. Esta foi retirada do Dicionário de História de Portugal dirigido por Joel Serrão. Aproveito para transcrever  passagem do artigo dedicado à Infanta:

Encarregaram-se da sua educação senhoras versadas em latim, grego, francês e castelhano. (...) Princesa do Renascimento, manejava com facilidade a língua latina, o que lhe permitia responder de improviso a embaixadores e redigir cartas a soberanos estrangeiros. Graças à sua inteligência e cultura, tornou-se uma mulher excepcional (...), e ocupou um lugar de destaque entre os eruditos do seu tempo. A partir dos 16 anos viveu em paço privado (...). Do seu paço fez a infanta um centro de cultura, apelidado pelos coevos de "universidade feminina".

A infanta, na medida em que protegeu, estimulou e encomendou obras aos artistas foi, à sua maneira, um mecenas do Renascimento. Os mecenas são pessoas que, de alguma forma, patrocianam a arte e os artistas e sem eles não teríamos grande parte das obras de arte que foram criadas. Grandes mecenas foram  papas (Júlio II e Leão X, por exemplo) e bispos, mas também reis como os nossos D. Manuel e D. João III.

..........

E, porque o prometido é devido, aqui vão as Endechas a Bárbara Escrava

 

Aquela cativa

que me tem cativo

porque nela vivo

já não quer que viva.

Eu nunca vi rosa

em suaves  molhos

que para meus olhos

fosse mais fermosa.

 

Nem no campo flores,

nem no céu estrelas,

me parecem belas

como os meus amores.

Rosto singular

olhos sossegados

pretos e cansados

mas não de matar.

 

Ua graça viva,

que neles lhe mora,

para ser senhora

de quem é cativa.

Pretos os cabelos,

onde o povo vão

perde opinião

que os louros são belos.

 

Pretidão de Amor,

tão doce a figura,

que a neve lhe jura

que trocara a cor.

Leda mansidão

que o siso acompanha;

bem parece estranha,

mas bárbara não.

 

Nota: o grande poeta, músico e cantor José Afonso musicou este poema de Camões e incluiu a canção no álbum "Cantares do Andarilho. É provável que os vossos pais tenham o disco em casa; peçam-lhe para ouvir!

sinto-me:
música: "Endechas a Bárbara Escrava, poema de Camões, mús.J.Afonso
publicado por asergio às 17:33
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9 comentários:
De Marta Prazeres a 28 de Fevereiro de 2007 às 15:40
Obrigada stôra !!

Com este "suplemento" da matéria ficamos sempre a perceber mais!!

Ah é verdade, já me estava a esquecer, o poema é mesmo muito bonito!!

De asergio a 28 de Fevereiro de 2007 às 17:52
Lindíssimo, o poema, não é, Marta? Reparaste nos trocadilhos (a neve que trocaria de cor; a Bárbara que não parece bárbara, etc.)?

E a D. Maria não era também muito linda?
De SIRIA a 13 de Janeiro de 2009 às 22:30
sim a d maria II e linda.
De Andreia a 1 de Março de 2007 às 14:02
Obrigada stôra !!!!! Pela bela imagem de Infanta D. Maria e pelo lindíssimo poema
de Luís de Camões .
De asergio a 1 de Março de 2007 às 14:22
Sempre as ordens, Andreia! O teres gostado deixa-me muito feliz.
De Nelson Moura a 1 de Março de 2007 às 20:53
É bom recordar poemas de Camões...

Em relação a imagem é pena ñ ser a cores, porque realsava + a imagem.

Obrigada pela informação(SETORA)...
De asergio a 2 de Março de 2007 às 11:00
Tens toda a razão, Nelson, a cores tudo fica mais realçado. Mas não foi possível.
De Fanthene 8ºe a 2 de Janeiro de 2008 às 18:35
Professora, poderia responder-me a uma questão?
3.3. do ponto de 10/12/07
Indica explicando-os 2 factores de descontentamento popular durante o reinadod e D.Fernando.

É: Guerra e por ter se casado com D.Beatriz??
De asergio a 8 de Janeiro de 2008 às 18:05
Fanthene

Nunca me lembraria de vir aqui à procura de dúvidas tuas!

Minha querida, enganaste-te certamente na pergunta: D. Beatriz é filha de D. Fernando!

Respondendo à tua dúvida, tens motivos de queixa muito mportantes:

* três guerras contra Castela e, ainda por cima, perdeu as três;
* a quebra da moeda;
* o casamento com D. Leonor Teles;
* a crescente importância da alta nobreza: por influência da rainha deu-se título de conde a muitas pessoas da confiança de D. Leonor;
etc.

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